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O texto abaixo foi encontrado após muita pesquisa, e serve para dar uma força a todos aqueles que querem aprender Oratória, mas não tem grana para bancar um daqueles cursos famosos do mercado. Para a feitura de um discurso, o orador precisa, em primeiro lugar, esquematizá-lo, dividindo-o, em quatro partes, assim chamadas: Início, Exposição, Meta e Conclusão. Os clássicos denominavam a estas partes, na mesma ordem, de Exórdio, Narração, Confirmação e Peroração. Para o nosso primeiro exercício de oratória, convém escolhermos um assunto que não dependa de maiores estudos.
Assim, por exemplo, tomemos uma viagem por tema: “Na primeira parte do discurso”, ou seja no início, ocupemonos em dizer qual foi o motivo determinante da viagem. Sim, porque a poderemos realizar para gozar férias, ou a serviço, ou, ainda, para o tratamento da nossa saúde.
Pronuncie em voz alta algumas frases, dizendo por que motivo fez a viagem. Fale alto, num tom de quem está conversando animadamente.
Quando conseguir desenvolver com segurança esta primeira parte do seu discurso, passe á segunda.
“Na segunda parte”, isto é, na exposição, conte o que se passou desde quando saiu de sua casa até o local para onde foi.
Mencione as impressões que lhe causou a paisagem, as ocorrências mais interessantes, de largas ao seu espírito, dizendo o que sentiu. Fale com prazer, como se conversasse com disposição. Depois de treinar bem esta segunda parte do discurso, passe a exercitar a terceira, que vem logo a seguir.
“Na terceira parte”, ou seja na meta do seu discurso, relate as ocorrências havidas no local do destino da sua viagem. Mencione interessar os ouvintes. Muitas vezes, circunstâncias que parecem sem muita importância, despertam o interesse do auditório. Exercite uma, duas, ou mais vezes, esta parte do seu discurso.
“Na quarta parte”, conte, rapidamente, o que aconteceu na volta dessa viagem.
Depois de exercitar todas as partes do seu discurso, isoladamente, procure dizê-lo, passando da primeira para segunda parte e desta para a terceira e, finalmente, á quarta. Não se preocupe se, nesse desenvolvimento, utilizar de palavras diferentes, cada vez que exercitar o seu discurso. Este fato constitui, até, num benefício.
O importante é seguir o esquema. Se o aluno não tiver um auditório, composto da esposa, dos filhos, ou de amigos, procure falar sozinho, ou para o espelho, ou pára o mar, como fazia Demóstenes. Se conseguir falar para as cadeiras vazias, poderá se considerar um bom orador, porque, na realidade, só se consegue falar bem na presença de ouvintes.
Todo exercício terá que ser feito mediante o desenvolvimento oral.
De nada adianta escrever um discurso e procurar decorá-lo. A linguagem falada é completamente diferente da linguagem escrita. O orador é aquele que esquematiza uma idéia e a desenvolve, utilizando-se das palavras decoradas, ou que foram escritas anteriormente, retiram do orador toda naturalidade e expontaneidade. Não tenha receio de lhe faltarem as palavras quando estiver discursando.
Nós falamos desde os primeiros anos de idade, sem nenhum esquema preestabelecido. Se tivermos, então, um esquema só poderemos melhorar a nossa exposição. Há pessoas que tem medo de falar em público, temendo errar no vernáculo.
Até oradores consagrados e, mesmo, eruditos, cometem erros discursando. Cada um de nós tem um vocabulário próprio. Usamos, sem que percebamos, sempre as mesmas palavras. Procuremos corrigir as que estiverem erradas e, aos poucos, introduzir novas e corretas no nosso vocabulário. No nosso Instituto de Oratória, ouvindo discursos, advertimos os alunos, lembrando-lhes a forma correta de falar. Depois de quatro ou cinco discursos, todos os erros foram observados e o orador não mais o comete. SEGUNDO EXERCÍCIO
Antes de planejarmos o segundo discurso, convém nos ocuparmos, aos poucos, com a boa apresentação do orador, ao discursar. Quando ele vai á tribuna, ou se levanta para falar, age com naturalidade, sem qualquer preocupação de tomar atitudes. Todavia, quando o orador faz os primeiros vocativos, dizendo, por exemplo, “Senhoras e Senhores”, flexiona, com naturalidade, um dos braços e, desde então, deverá procurar manter-se nessa posição.
Deverá ter o cuidado de não colocar as mãos nos bolsos, nem prender os braços e, nem prender os braços atrás do corpo, pois que deverão estar livres para a execução de gestos. Se o orador estiver com os braços presos, ou sem equilíbrio na tribuna, jamais poderá gesticular. Para a obtenção de um equilíbrio perfeito, orador deverá estar apoiado firmemente sobre os dois pés. Nessa atitude, ser-lhe á mais fácil comunicar-se com o auditório. Passemos agora ao nosso segundo discurso. O tema escolhido é “A MINHA PROFISSÃO”. Esquematizemos a peça oratória do seguinte modo:
“Na primeira parte”, ou seja no início, procuremos pronunciar algumas frases dizendo da nossa satisfação, ou, então, da importância que representa para nós falar da nossa profissão.
Falemos demonstrando o prazer que sentimos ao abordar o assunto, tirando efeito de cada palavra que pronunciamos. Não omitamos sílabas nem os “SS” finais. Exercitemos bem esta primeira parte do discurso e só passemos á segunda quando pudermos falar e sentir o que estivermos dizendo.
Na “segunda parte”, isto é, na exposição, contemos como foi que abraçamos a nossa profissão. Sejamos sinceros, não omitindo fracassos em outras profissões, ou a ausência inicial de vocação na que ora estamos exercendo. A sinceridade cativa auditório, que se simpatiza com os oradores que a usam. Todos nós tivemos e temos deficiências, de modo que quando as mencionamos despertamos sentimentos nobres naqueles que nos ouvem, que também as possuem.
Exercitemos bem esta segunda parte do discurso, não decorando palavras, mas procurando expor com clareza o nosso pensamento.
“Na terceira parte”, expliquemos por que gostamos da nossa profissão, mencionando e desenvolvendo cada uma das razões dessa nossa preferência. Procuremos falar com sentimento, dando a cada palavra o seu valor.
As palavras “saudade”, “recordação”, “amor”, etc. são delicadas e devem ser ditas com doçura; as palavras “luta”, “revés”, “adversidade”, “coragem”, “valor”, etc., são duras, fortes, e devem ser ditas enfaticamente. A beleza da oratória está na maneira de pronunciarmos as palavras difíceis, como já bem o observador M. Fábio Quintilhano nas suas celebres Instituições Oratórias. A.Ramos |